segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Arquitetura Jovial

Allan Feio foi eleito Personalidade do Pará por seus trabalhos, e não descuida do social.
Como um dos representantes da nova geração de arquitetos de Belém, Allan Feio mostra com profissionalismo de gente grande que chegou para ficar. Ele foi eleito, recentemente, pelo Conselho dos Profissionais do Estado do Pará, “Personalidade do Pará 2008” na categoria arquiteto revelação. São apenas sete anos de carreira e muitos projetos importantes, como a reforma da “Casa da Criança”, projeto desenvolvido pela Fundação da Criança e do Adolescente do Pará, que reuniu cerca de 40 profissionais da construção. O jovem arquiteto, que ainda comenta projetos e dá dicas de construção e decoração no seu blog (www.allanfeioarquitetura.blogspot.com), contou em entrevista para a Revista Construção & Decoração de O LIBERAL, como foi receber a premiação e quais os principais desafios do mercado de trabalho para quem está começando.

O que representa para você ser uma das Personalidades Pará 2008?
Receber uma premiação como essa é muito importante. Fiquei muito feliz, sobretudo, porque a escolha dos homenageados é feita por pesquisa espontânea. Além dessa ter sido a trigésima edição do prêmio. E ter meu nome entre os indicados mostra como meu trabalho está sendo reconhecido. Acredito que ela veio em um momento muito bom e espero que traga ótimo frutos para minha carreira.

Como foi o começo de carreira?
O início é realmente muito difícil. A entrada no mercado é complicada, até por que você não tem experiência, não dispõe de projetos anteriores para mostrar para o cliente, ainda não tem um portfólio. Conforme as pessoas foram conhecendo meus primeiros projetos, geralmente feito para os familiares, o trabalho foi aumentando. Um cliente indica o outro, formando um círculo maior de contatos. Hoje, além de Belém desenvolvo projetos para Macapá e Oiapoque. É uma forma de ampliar os horizontes.

Existe muita diferença entre os projetos que você desenvolve para Belém e os que faz para fora do Estado?
A diferença não é tão grande. A questão é que o paraense gosta muito de receber. Por isso, esse novo conceito de cozinha gourmet e de áreas integradas deu tão certo em Belém, por ter como base, exatamente, o hábito das pessoas. Tem sempre muita festa, seja no Círio de Nazaré, no Natal, no Ano Novo. Tudo é motivo para confraternizar. Por isso, acredito que essa é uma tendência que veio para ficar. Diferentemente, do que se costumava falar de que Belém tinha uma arquitetura amazônica. Não podemos nos prender a padrões. Não existe uma arquitetura da Amazônia, e sim uma composição como outra qualquer, marcada por toques regionais, como a madeira e a cerâmica. O legal é trazer referências da região para o projeto, sem fazer algo cenográfico, datado e preconceituoso. O espaço tem que ‘conversar’ com o que tem na sua cidade e com o que tem no mundo. Você também pode utilizar coisas da nossa região de forma diferente, dando novos usos para determinado elemento da nossa cultura. A cerâmica marajoara, por exemplo, para certos ambientes não é adequada, torna-se brega. Porém, trabalhando os elementos que se tem em mãos é possível fazer daquilo a obra de arte do seu espaço.

A criação é um exercício constante na área de arquitetura. A partir de que momento, você acha que surgem as boas idéias?
A princípio costumo captar os gostos e as vontades do meu cliente. Nem sempre é viável, mas acredito que o arquiteto tem um pouco de psicólogo. Ele tem que tentar decifrar o que o cliente deseja fazer naquele espaço. O outro momento no qual as boas idéias aparecem é na hora de transferir o que foi captado para o papel. Confesso que não costumo trabalhar com papel. Hoje, tudo é tão rápido e corrido, que não dá tempo de projetar no papel e só depois passar para o computador. Considero esse primeiro momento do esboço muito importante. É a partir dele que começa o trabalho. Entretanto, fazer o projeto mesmo é direto no computador. Não tem como fugir dele, é uma ferramenta de trabalho.

O profissional da construção é uma atividade reconhecida e valorizada no mercado paraense?
O mercado paraense cresceu muito nos últimos anos. Houve uma formação de consciência, seguida de uma valorização do arquiteto, desmistificando, assim, a idéia de que o profissional tem um caráter elitista. Arquiteto não é só para a elite. De uns anos para cá, conseguimos romper esses paradigmas. Encaro o mercado em franco crescimento. Hoje, não precisa mais sair de Belém para nada. Encontramos tudo aqui, desde o material de construção, acabamento até peças de decoração. Belém não deve nada para os grandes centros do país. Além disso, as lojas estão sendo muito parceiras dos arquitetos, sobretudo, através das mostras. Acredito que a tendência é que o mercado continue crescendo, colhendo os frutos do que já foi plantado. O grande desafio é conseguir se reciclar, estar sempre viajando, e acompanhando as tendências e os lançamentos. Você precisa estar preparado para dá o melhor para o seu cliente. Quando ele o procura quer sempre o melhor. Por isso, é tão importante se atualizar. Se não fica para trás.

Como surgiu a idéia de criar um blog?
Há algum tempo fiz uma pesquisa na internet e percebi que não havia um site que auxiliasse as pessoas com assuntos de construção e decoração. Queria algo que tirasse as dúvidas do leitor que, muitas vezes, não tem condições de contratar um profissional. Se não tem dinheiro, então, por que não criar? Pensando nisso, há um ano criei o blog e desde lá, venho alimentando o site e respondendo aos comentários e e-mails que as pessoas deixam. Hoje, são mais de 30 mil acessos. Procuro trazer temas gerais sobre arquitetura, com o foco em dicas para que o leitor possa aplicar em casa. Também comento o que está acontecendo no mercado de arquitetura da cidade, como feiras e mostras. A atualização é no mínimo uma vez por semana. Acredito ainda que o blog é uma forma de divulgação do meu trabalho.

A página na internet já rendeu algum projeto?
A repercussão, por incrível que pareça é maior fora de Belém. O maior número de acessos é de fora, além da maioria dos emails com dúvidas ou pedindo sugestões, que eu respondo, também não são daqui. Por causa do blog, já fui convidado para fazer duas entrevistas para suplementos de jornais e revistas de São Paulo. Um foi para o jornal ‘A Tribuna’, de Santos e para a revista ‘Paulista em foco’, de São Paulo capital.
Revista C&D - Jornal O Liberal 21/12/08

2 comentários:

Cléa F. Costa disse...

Parabéns pela entrevista concedida ao jornal O Liberal. Acompanho seu trabalho e posso dizer que gosto muito. Suas idéias são bem legais. Continue assim. Mais sucesso.

grande abraço

Fatima Cuimar Rosa disse...

parabéns pela última entrevista , gostaria que me sugerisse sugestões de acabamentos para casa de praia estilo rústico com preços módicos. obrigada